No vale da ribeira de Alpreade, na aldeia histórica de Castelo Novo, há um pequeno paraíso que os proprietários fazem questão em manter reservado. A Fragas do Lobo é um projeto de vida e a Casa da Azenha é para quem o quiser partilhar.

Uma azenha recuperada nas margens de uma ribeira encaixada num vale enriquecido por uma luxuriante fauna e vegetação ripícola. Diferenciação e exclusividade. Na ótica turística, é assim que Hugo e Inês Berenguilho Madeira definem o espaço que criaram – e continuam a desenvolver -, para receberem quem quiser desfrutar do pedaço de paraíso natural onde decidiram viver. Mais do que um projeto turístico, a Fragas do Lobo – Casa da Azenha é um projeto de vida deste jovem casal, o que os leva a enfrentar as adversidades que o setor vive de uma forma mais despreocupada.

“Temos resistido porque não vivemos apenas do turismo, caso contrário, seria difícil continuar”, diz Inês, aludindo às dificuldades geradas pelo contexto pandémico. Durante os primeiros meses do ano, o confinamento e o consequente impedimento das deslocações levaram-nos a encerrar o espaço. Aproveitaram para fazer manutenções, desenvolver algumas novas atrações no espaço e cuidar dos espaços da quinta onde está inserido o alojamento. Adiantámos alguns projetos na quinta. Criámos novos percursos, realizamos ações de reflorestação e de prevenção de incêndios, através de sistemas de água e da criação de faixas de proteção”, explica Hugo. 

Além da azenha recuperada e dos vários espaços de lazer ao longo das margens da ribeira, a quinta inclui ainda um jardim, uma horta em modo de produção biológico, de onde sai boa parte dos alimentos servidos aos hóspedes, a habitação do casal e vários anexos que albergam os animais da quinta. Há cães, galinhas, patos, porcos, cabras e outros, todos com uma função além da simples contemplação. Há uma abordagem holística na gestão do espaço. Entre os animais, por exemplo, o mais recente investimento do casal foi um par de cavalos - Trovão e Bóreas - que, entre outras funções, contribuem para a limpeza dos terrenos, para a mitigação do risco de incêndio e, claro, para a fertilização da terra. 

E é esta forma de ver e de estar que os leva a encarar os próximos tempos com esperança. “Não temos grandes expectativas em relação a 2021 no contexto turístico”, diz Inês, adiantando que “o setor vai continuar a ser afetado o resto do ano, ainda que com algumas exceções pontuais”. Ainda assim, o casal mostra-se confiante em relação ao produto que oferece. “Não estamos preocupados porque trabalhamos para um nicho de mercado onde, apesar de tudo, continuará a haver procura”, diz Inês, sublinhando a total dedicação com que gostam de receber os hóspedes.

A forma como abordam o marketing e a publicidade do espaço é revelador dos objetivos pretendidos pelo casal. Estão presentes no booking.com, para facilitar a gestão das reservas, e nas redes sociais, onde passam uma mensagem centrada na proteção da natureza e na valorização do ecossistema do espaço. Não vão em “influenciadores”, apesar dos inúmeros contactos de figuras públicas e bloggers que recebem. Para Inês, “a melhor publicidade é a experiência contada na primeira pessoa”. É este o tipo de influência que valorizaram e é nele que vão continuar a apostar. 

Inês e Hugo Berenguilho na quinta que escolheram ser a sua casa.

Inês e Hugo Berenguilho na quinta que escolheram ser a sua casa.

Espaço de refeições da Casa da Azenha.

Espaço de refeições da Casa da Azenha.

Um dos espaços para relaxar ao som da natureza.

Um dos espaços para relaxar ao som da natureza.

Cães são outros habitantes naturais da quinta.

Cães são outros habitantes naturais da quinta.

Os dois residentes mais recentes da quinta Fragas do Lobo, o Trovão e o Bóreas.

Os dois residentes mais recentes da quinta Fragas do Lobo, o Trovão e o Bóreas.

Casa da Azenha mistura modernidade com tradição.

Casa da Azenha mistura modernidade com tradição.

Casal aproveitou a paragem para criar novos trilhos pela quinta.

Casal aproveitou a paragem para criar novos trilhos pela quinta.